O princípio da agricultura natural consiste em fazer com que o solo manifeste a sua grande força. Só que até hoje o homem desconhecia a natureza do solo. Antes, não lhe foi dado conhecê-la. Em consequência, lançou mão dos adubos, dos quais, a partir de dado momento, acabou dependente. Isso transformou-se numa espécie de crença supersticiosa. Prova é que, no início, por mais que defendesse o cultivo sem o emprego de adubos, não encontrei quem me desse ouvidos: despachavam-me com um ar de troça. Entretanto, a minha persistência vem sendo recompensada, e agora, ano a ano, aumenta o rol dos agricultores praticantes do método natural, os quais têm logrado resultados surpreendentes. Actualmente, porém, os seus adeptos confinam-se ao nosso círculo de membros. Contudo, frente ao facto de estar a surgir um número crescente de simpatizantes entre os não-membros e a multiplicarem-se vertiginosamente os praticantes, imagino que num futuro não muito distante a agricultura natural se alastrará pelo Japão inteiro. Afirmo, portanto, que a difusão deste método é, em breves palavras, um movimento para a erradicação da crença nos adubos. -
Não usamos esterco de origem humana ou fertilizantes químicos, mas exclusivamente composto vegetal, razão pela qual damos o nome de agricultura natural ao nosso método. De facto, o material desse composto - folhas e ervas secas - forma-se naturalmente. Ao contrário, quer os fertilizantes químicos, quer o estrume de origem humana ou animal, como o de cavalo ou galinha, a farinha de peixe e as cinzas vegetais, por exemplo, não caem do céu nem tão pouco brotam do seio da terra: são levados ao solo pela acção do homem. Escusado notar que se trata duma prática antinatural. -
Não há uma única existência na Criação que não seja bafejada com as bênçãos da Mãe Natureza. Todas as coisas geram-se e são criadas mercê da tríade elemental fogo, água e terra. Numa linguagem científica, referimo-nos ao oxigénio do fogo, o hidrogénio da água e o nitrogénio da terra, imprescindíveis para qualquer tipo de cultura agrícola. Assim, Deus fez o mundo de modo que os cereais e hortaliças - o sustento da actividade vital - pudessem ser produzidos na medida justa, o que se compreende pelo raciocíno a seguir. Não há razão de o Criador ter posto o homem no mundo sem lhe conceder o alimento bastante para a sua subsistência. Caso exista uma nação incapaz de tirar da terra o sustento suficiente para nutrir o seu povo, é por algo não estar consoante com as leis naturais determinadas pelo Ser Supremo. Portanto, não se encontrarão soluções para a questão alimentar enquanto o dito ponto não for percebido. -
Uma vez que o homem ignorou os princípios da Mãe Natureza, recorrendo única e exclusivamente aos adubos artificiais, somos obrigados a admitir ser óbvio que ele padeça com a falta de alimentos. É a paga, digamos, pela sua cegueira para com as leis naturais. Some-se a ela o papel agravante exercido pelas teorias científicas materialistas para termos a actual época de crise alimentar. Dessa óptica, a agricultura contemporânea constitui não um avanço, mas um retrocesso. Na hipótese de o método de cultivo que respeita a Natureza ser o verdadeiro, admitiremos o seguinte. Se um indivíduo se sustem com 150 quilos de arroz por ano e a nossa população perfaz 83 milhões de habitantes, então, por piores que sejam as safras, o país está apto a produzir anualmente 12.450 milhões de toneladas do cereal. É tão certo como dois mais dois são quatro. -
O método de cultivo natural que advogo tem por fundamento o princípio acima. Dependendo da sua prática, a exaustão e depauperamento de que é vítima o agricultor, devido à actual carência alimentar japonesa, também se solucionarão sem dificuldade. Deus não poderia deixar passar em brancas nuvens um tal erro, e com a Sua misericórdia e amor infinitos utiliza-se de mim para divulgar ao mundo inteiro o princípio da agricultura natural. Há, pois, que abrir os olhos o mais depressa possível e adoptar o nosso método. Dessa forma, os agricultores também se salvarão. -
Como mencionei há pouco, a tríade elemental fogo, água e terra é a força motriz para o crescimento das culturas. Assim, é infalível a obtenção de resultados jamais vistos ao se assegurar uma boa insolação, o fornecimento suficiente de água e o cultivo numa terra pura. Um dia - não sei precisar quando - o homem fez um tremendo disparate: usou adubos. É que ele era completamente ignorante da natureza da terra. (5 de Maio de 1953)
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