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Medicina Integrativa
Medicina Integrativa
 
 
Para a compreensão do que é a medicina integrativa, o presente documento consta de uma exposição concisa acerca da medicina complementar e alternativa, apresentando em seguida as suas modalidades e respectivos métodos. Para finalizar, sumaria os pontos de vista em comum de profissionais engajados na medicina integrativa a respeito desta.
 
1. Medicina Complementar e Alternativa
1.1 Conceito
Tanto o termo “medicina alternativa” quanto “medicina complementar” são utilizados para designar todas as terapêuticas que não a medicina ocidental moderna ou “convencional”. Para além deles, coexiste o termo “terapia suplementar”, com significado praticamente idêntico ao de “medicina complementar”.
1.1.1 Medicina Alternativa
Por medicina alternativa entende-se a terapêutica aplicada em substituição ao tratamento da medicina ocidental moderna. Originalmente, a expressão possuía a conotação de uma prática médica que se contrapunha à convencional.
1.1.2 Medicina Complementar
O termo medicina complementar sugere, de seu lado, não a ideia de uma terapêutica oposta à ocidental moderna, mas sim uma que a complementa, onde ela não se mostra apta a tratar suficientemente.
1.1.3 Medicinas Complementares e Alternativas
Presentemente, o conceito de “medicinas complementar e alternativa”, na acepção de cuidados médicos que complementam ou substituem a medicina ocidental moderna, começa a ser aceite como resultado das tentativas para denominar de forma abrangente as várias modalidades terapêuticas que não esta. O Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos da América adoptou esta denominação, popularizando-a sob a sigla CAM (Complementary and Alternative Medicine). As práticas actualmente conhecidas pelo nome de medicinas complementares e alternativas compreendem em geral as medicinas tradicionais ou terapias populares características de determinados países ou regiões onde, ainda hoje, continuam a cumprir um importante papel para a saúde nacional.
1.2 Classificação das Medicinas Complementares e Alternativas
A classificação das medicinas complementares e alternativas pode diferir de país para país ou segundo os critérios das diferentes sociedades científicas. Aqui arrolamos a classificação feita pelo Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa dos EUA, órgão que lidera mundialmente as pesquisas e investigações nesta área.
1.2.1 Sistemas Médicos Completos
Trata-se de terapêuticas criadas com base num sistema completo de teoria e prática e que tiveram uma evolução independente e mesmo anterior à da medicina ocidental moderna. Frequentemente mantém ligações íntimas com a cultura ou religião da região donde se originaram, sendo as mais representativas as que se discriminam a seguir:
a) Medicina Tradicional Chinesa
Sistema de tratamento médico praticado na China desde a antiguidade. Países como a China e a Coreia possuem escolas próprias para a formação de clínicos especializados. No Japão, porém, este género de medicina conhecido pelo nome de “kampô” é exercido exclusivamente por profissionais da medicina ocidental, dada a inexistência de cursos da modalidade. A peculiaridade japonesa está no facto de os farmacêuticos estarem habilitados a prescrever receitas destes medicamentos e de as práticas da acupunctura e moxibustão serem exercidos por terapeutas com habilitação legal.
b) Ayurveda
Medicina tradicional da Índia, cujo nome quer dizer “conhecimento da vida”. Proporciona o equilíbrio das funções fisiológicas, com a tónica no fortalecimento da capacidade curativa natural. É muito aplicada nos salões de estética.
c) Homeopatia
Método terapêutico criado no início do século XIX pelo médico alemão Christian Hahnemann (1755~1843). A denominação de formação grega significa “conformidade de afecções”. Basicamente, consiste na ministração em doses infinitesimais de fármacos capazes de produzir num indivíduo saudável os mesmo sintomas da doença a tratar. A diarreia, por exemplo, é tratada com um laxante.
d) Naturopatias
São terapias ou métodos de saúde que visam aproveitar ao máximo as propriedades dos elementos naturais ou o próprio ambiente. Contam-se entre elas a fitoterapia, a talassoterapia, a balneoterapia, etc.
1.2.2 Terapêuticas da Mente e do Corpo
São formas de tratamento que procuram estimular o estado psíquico e repercutir favoravelmente nas funções ou sintomas físicos. Descrevem-se a seguir as mais representativas.
a) Terapias da mente
Trata-se de técnicas com o objectivo de tratar a doença por estímulos mentais, com o recurso a métodos psicológicos tais como hipnose, sugestão ou psicanálise, entre outras.
b) Bio-feedback
Espécie de terapia comportamental que aplica o reflexo condicionado. Caracteriza-se por informar por meio mecânicos a actividade involuntária, facultando ao paciente controlá-la conscientemente. É utilizada no tratamento de distúrbios psicossomáticos, mediante a regulação do estado mental e físico, por meio, por exemplo, da estimulação da emissão de ondas α (alfa) do cérebro, indicada por sinais luminosos ou sonoros.
c) Meditação
Prática que consiste no acto de, de olhos cerrados, concentrar a atenção e suspender o fluxo de pensamentos que normalmente ocupam a mente.
d) Terapia da oração
Os benefícios que a oração exerce sobre a a saúde foram demonstrados em investigações conduzidas pela organização protestante Ciência Cristã. Presentemente, realiza-se um estudo em grande escala com fim de comprovar se a oração possui ou não eficácia quando o enfermo não tem conhecimento de que é objecto dela. Em relatório publicado em 2004 pelo NCCAM, a terapia da oração aparece como o primeiro dos métodos mais utilizados pelos utentes das medicinas complementares e alternativas.
e) Aconselhamento psicológico
Apoio dado por especialista em psicologia. O psicólogo e o doente conversam sobre os mais diferentes problemas do foro psíquico deste, na procura de soluções para manifestações de ansiedade, depressão, etc.
f) Musicoterapia
A música, nas suas diversas expressões, é usada para curar ou minorar o sofrimento físico ou psíquico. É também empregada no tratamento e educação de crianças portadoras de deficiências.
g) Terapia do riso
Há resultados de pesquisas realizadas por profissionais da medicina que comprovam que as defesas imunitárias aumentam por meio do riso.
1.3 Terapias biológicas
Caracterizam-se pelo emprego de substâncias encontradas na Natureza tais como plantas medicinais, produtos alimentares e outras.
a) Farmacologia “kampô”
Denominação geral para o receituário preparado segundo os fundamentos teóricos de um das escolas da medicina nascida na China e que se difundiu para a península coreana e o arquipélago nipónico, onde seguiu um curso evolutivo próprio.
b) Herboterapia
Consiste na utilização de plantas com propriedades medicinais que são empregadas com fins curativos sob a forma de condimentos, infusões, banhos, etc.
c) Suplementos dietéticos
São nutrientes ingeridos oralmente em drageias, cápsulas ou outros veículos que, ao complementares eventuais deficiências da dieta trivial, podem contribuir para a manutenção da saúde ou para fins estéticos.
d) Aromaterapia
Emprega os componentes aromáticos de origem vegetais e de outras procedências para tratar a saúde física e mental, na medida que diminui o stress, acalma os nervos e produz outros resultados benéficos.
1.4 Técnicas de manipulação

São tratamentos que se caracterizam pelo emprego de estímulos físicos mediante o uso da mão ou de instrumentos.
a) Massagem
Fricção, compressão ou percussão do tecido muscular ou de outras partes do corpo para a obtenção de resultados terapêuticos. Melhora a circulação sanguínea, revigorando as funções musculares e nervosas, provoca o relaxamento geral e o atenuamento do cansaço. É aplicada com fins higiénicos e estéticos.
b) Digitopunctura (Shiatsu)
É a massagem feita com a polpa dos dedos, com o objectivo de revigorar as funções musculares e nervosas.
c) Quiropraxia
Método criado em fins do século XIX nos Estados Unidos da América para o tratamento e prevenção dos problemas do sistema neuro-músculo-esquelético. A prática da quiropraxia concentra-se na relação entre a estrutura (primariamente a coluna vertebral) e a função (coordenada pelo sistema nervoso), e como esta relação afecta a preservação e restauração da saúde.
d) Osteopatia
Terapia que concebe determinadas doenças como resultado dos desvios do sistema osteomuscular, tratando-as pela manutenção e restauração da mobilidade deste mesmo sistema.
e) Reflexologia
Técnica de relaxamento do stress que estimula a circulação sanguínea com a massagem da planta dos pés.
f) Acupunctura
Terapêutica originada na China, onde é praticada há milénios como método higiénico, que emprega agulhas para provocar estímulos nos chamados meridianos localizados na superfície da pele para o tratamento de várias patologias.

1.5 Terapias energéticas
São tratamentos que utilizam energia de origem magnética, eléctrica, calorífica ou uma que ainda não foi cientificamente esclarecida ― a energia vital ou subtil ― e cuja eficácia, por conseguinte, não foi comprovada o bastante por uma abordagem médica. A terapia depurativa Okada é entendida nesta última categoria.
a) Terapia magnética
Caracteriza-se por empregar anéis, colares e outros adereços e objectos magnetizados que teriam efeito no alívio da dor e na activação do fluxo sanguíneo.
b) Qi gong
Método higiénico praticado na China desde a antiguidade e do qual existem mais de 2000 correntes. É uma prática de promoção da saúde na medida que aumenta a imunidade e a força curativa do indivíduo pela manipulação do qi (energia vital). O qi pode ser tanto exercitado em proveito próprio quanto canalizado para o tratamento de terceiros.
c) Toque terapêutico
Deriva de uma técnica antiga denominada aplicação das mãos, tendo sido desenvolvida pela Dra. Dolores Krieger, professora da Faculdade de Enfermagem de Nova Iorque. Baseia-se na premissa de que o poder curativo do terapeuta repercute na recuperação do paciente. A cura é facilitada quando as energias do corpo estão em harmonia. O terapeuta é capaz de identificar os desequilíbrios energéticos do enfermo passando as mãos sobre ele. Está a ser adoptado por muitas enfermeiras nos hospitais norte-americanos.
d) Cura espiritual
Método tradicionalmente praticado no Reino Unido. Consiste na canalização de uma energia curativa frequentemente descrita como “luz e amor”, que produz relaxamento físico, estimula as funções imunitárias e a capacidade natural de cura, entre outros benefícios. No Reino Unido, há a National Federation of Spiritual Healers com mais de 6000 membros que exercem a sua actividade sob o abrigo da lei.
e) Reiki
Método terapêutico originalmente iniciado no Japão por Mikao Usui (1865~1926) e desenvolvido fora deste, consiste na aposição de mãos no corpo do doente, com o propósito de suprir-lhe prana (energia vital).

2. Medicina integrativa

“Medicina integrativa” é uma expressão surgida recentemente, para a qual ainda não existe no Japão uma definição precisa. Na maioria dos casos indica os cuidados médicos que conjugam eficazmente a medicina ocidental moderna, dita convencional, com as restantes chamadas complementares e alternativas.

O mérito da medicina convencional reside na explicação das estruturas e funções básicas do corpo humano com o substrato científico da anatomia, patologia, fisiologia e imunologia, etc.; na instituição de métodos de exames, análises e diagnóstico bem como na comprovação objectiva da eficácia da sua terapêutica. Contudo, mesmo assim, falta-lhe explicação para a causa de um número considerável de doenças, para as quais também não oferece tratamento. Para mais, por embasar-se em informações estatísticas, muitas vezes tem a tendência de não levar em consideração o ambiente e as peculiaridades individuais.

Nas enfermidades crónicas, nas do foro psíquico assim como nas convalescenças, o estilo de vida e as características pessoais influem sobremaneira para o curso evolutivo da cura. Hoje, a sociedade necessita de uma medicina vocacionada para o indivíduo, dando atenção às características pessoais e ao estado psicológico. Esta necessidade pode ser preenchida por uma sinergia gerada pela combinação da medicina convencional com as complementares e alternativas. É essencial que os profissionais destas vertentes cooperem entre si, no reconhecimento dos pontos positivos mútuos e na construção dum novo sistema terapêutico. Neste sentido, colhemos alguns pareceres de elementos que estão a implementar activamente a medicina integrativa, para melhor clarificar este conceito, como se segue.
i. Uma medicina que privilegia o indivíduo
Um paciente difere dos demais não só pelo sexo, idade, personalidade, meio em que se encontra inserido, mas também pela natureza e condição da sua doença. A medicina que privilegia o indivíduo é a que dá importância, no diagnóstico e tratamento, às condicionantes acima e à constituição do paciente.
ii. Uma medicina que se caracteriza pela diversidade
Não é suficiente que a medicina integrava concilie ou unifique sistematicamente as duas citadas correntes do tratamento médico. Isto porque os resultados das medicinas complementares e alternativas nem sempre podem ser comprovados tecnicamente pela medicina convencional. É preciso, pois, oferecer ao paciente toda a gama de opções para que ele possa escolher o tratamento que mais lhe convém.
iii. Uma medicina que contemple a essência do ser humano
Na sua conceituação de saúde, a Organização Mundial de Saúde começa a introduzir a ideia de espiritualidade, como um nos factores determinantes do estado de conforto e bem-estar humano, ao lado das componentes física, mental e social. O Dr. Kazuhiko Atsumi, professor honorário da Universidade de Tóquio e um dos apologistas da medicina integrativa, diz numa das suas obras: “Confrontamo-nos com a questão da espiritualidade, da alma do indivíduo. Donde viemos? Para onde vamos? Qual a razão da nossa existência? Quero acreditar que, quando elucidarmos estas dúvidas, o significado da doença será esclarecido.” Também nos círculos médicos, emerge um movimento que pretende rever o exclusivismo da medicina ocidental moderna e alcança dimensões mundiais a nova corrente da diversidade proposta pela medicina integrativa, trazendo na vanguarda uma abordagem terapêutica com raízes naquilo que é a essência do homem: a sua espiritualidade. Com o gradual avanço desta nova abordagem integrativa, é de se prever que haja um debate profundo com vista à criação de um sistema médico mais humano, que contemple as necessidades dos pacientes e adentre no território da alma e do próprio modo de estarmos no mundo.